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Escrito por david cejkinski às 19h58
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Salmo

 

Eu vou te reformar

Para sempre na linguagem humana

É preciso poetizar para não rezar

Não se entregar a dogmas

Em uma dispersiva tentativa de êxodo

Onde nunca e a qualquer momento se lança uma tentativa de pureza

Onde o mar aberto não te encontra

Onde qualquer dia o jogo ganha forma

Já que nas ilhas não se tem fuga a um lugar utopico.

É preciso quebrar

Escandalizar

E doer

Em qualquer tentativa de espera

Para lá da linha do equador

Por onde a poesia passa precisa e correta, onde me traz amor...

Esse vazio me rompe o corpo

Essa lança de mil dedos me rasga o ventre

Para lá, em cima das historias tristes.

Por onde passa a verdade

E qualquer poesia mancha de sangue todas as vontades

Grite e não se deixe

Lamba com meticulosidade as lanças livres

Que furam o olho de qualquer mesmice

Te entregues

Em qualquer sala de partida

Não minta, a poesia não suporta mentiras.

Na geografia de um lugar comum

Nenhuma língua santa canta um verso de lamento

Te entregues, depois da via Láctea.

Depois do corpo-santo

Existe uma mão, um acalanto.

Que precisamente te pegas o corpo nu

Não deixe de contar os traços

Rever os versos que vomita nessa pia

Fazer dos teus embaraços

Sua reza e sua poesia

 

 David Cejkinski



Escrito por david cejkinski às 19h37
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Estive marcado com literatura

Sobre o teto de giz uma nobre pintura que refletia a moeda estranha em meu nariz...

Dançava pelas ruas um estranho Rimbaud de meias férulas

Ah, quem ousa bailar poesia em esquecido quintal?

Mar de tropas cavalgando em destino certo o meu parado varal...

Sobre um tanto outono

Em dias quebrados no chão

Desfilava assim o senhor Van Gogh com sua orelha na mão

Mas de tanta terra que transborda entre as veias e deságua o meu ar de arte...

Vestir o corpo de literatura, como em uma nobre pintura Pop Art.

Vanguardista de museu.

Onde não se cobra caixinha por guardar o que é seu

Cubra de tédio o pátio que te faz metódico

Descubra o teatro que descortina a mascara...

Quem saberá assim de sua nobre pirraça?

È Roma que diluí o grego canto final

Mas já estive em Rio que é de Janeiro a Dezembro o meu Brasil...

Lá se come samba na praia

Lá se lancha bala na testa

Eu que gostei de passar na Sapucaí em dia normal...

Tão fútil como engarrafamento em final de feriado prolongado

Como sou mau amado por entre as frestas de Frida Khalo...

Um dia me calo, e te faço um parto digno de um Arrabal.

Quem te disse esse marco final?

Nada silencia o silício de nossa poesia

Para que Machado de Assis? O grande chato!

O realismo é um corte no olho que destrói os fracos

Um dia desses marquei uma valsa com Artaud

Não veio, disse que não conseguia parar de gritar com Anton Tchecov, e eu fiquei meio ameno...

Nesse meio de vida

Qualquer dia desses recebo de presente um frustrante Picasso...

Nem Monet me consola nesse desembaraço

Esperando Artaud no Fran’s Café?

Nada mais obvio, talvez um cigarro acalme lento o Pollack do meu lamento...

E eu que pensava ser bonito ser surrealista...

Eu que pensava algumas vezes pensava e parava de me esforçar...

É chato tentar algo esplendido

È literal o marasmo de pedra

É fantástico como cada milícia destrói sua delicias...

E engraçado é dançar aos sábados

Com gente que nunca viu

Eu já me quis em Paris...

Hoje navego em outro rio...

 

David Cejkinski

 



Escrito por david cejkinski às 17h58
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Eu queria para sempre ouvir uma musica sua.

Delirar em teus braços.

Juntar os meus gritos.

Navegar no meu rio.

 

Eu quero amar sem pecado

Quero fluir e lamber meu veneno, me perder no vazio...

 

Sua língua que goteja edifícios no asfalto.

Quero quebrar seus retratos de dores.

Justifico humores.

 

Lamento o meu rio.

 

Giro, giro e me largo, me entrego sozinho ao passado...

Assim de leve no teu rosto macio.

 

Este silencio gelado,

Um quê de pecado,

Uma dor arredio...

 

Um hino parado,

Um som de tempo no medo,

Um gozo concreto e vadio.

 

Poema imundo de sexo, porra e vazio.

 

Eu queria falar à você sobre minha letra de espermas.

 

Queria traduzir palavras paradas no espaço.

Os seus ovários escorrem em sua virilha à temperar minha boca, minha saliva.

Eu quero matar sua ilha.

 

Vomitar o instante do gozo no dia.

Me calar de poesia.

 

Tremer no valente instante de vida,

Onde na minha alma partida.

Me entreguei aos teus seios rosados, me afoguei ao seu lado,

Desmaiei no meu rio...

 

 

 

David Cejkinski 06-09-07

 



Escrito por david cejkinski às 20h59
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Pontes

 

 

Um dia te destruirei. Com furadeiras pequenas que te trucidaram as partes silenciosas do teu corpo. Vou te matar como imagem barroca onde nada é humano. Castigarei assim sua vida. Humanos são como sombras a deslizar na terra pisada. Eu te adapto, eu te reformo e eu te mato, te mato como se pisa em formigas no campo, com um prazer secreto e enfermo. Um dia vou corromper o mundo e a morte será seu espetáculo final. Tão bonito quanto final de tarde de um domingo. Eu te acalentarei em pontes perdidas, pontes que não levam ninguém a lugar nenhum. É preciso ser místico, é preciso prever para matar. Um dia estarei no asfalto a contemplar a vida que se perdeu nas frestas das pedras, como um sonho que nunca aconteceu. Previsível como cidade e amargo como horizonte sem fim. O tabaco de todos os dias, essa metralhadora de rosas que mitifica o manto e destrói a planta das rochas largas, a semente do teu ventre podre. Gestarei um semideus, confirmando o meu toque divino de fatalidade obvia. Destruir e prever onde as pontes calam, onde os gritos vazam cítricos como o seu olhar para mim depois da noite. Pontes, lindas e clássicas que acabam no nada do meu traço embaralhado. A sina que toca em outra linha e cruza com a minha em parte triste de um filme sem montagem. Me arrastarei nas avenidas largas do teu plácido pontal de zinco. Como um livro sem ponto final. Já nessa marcha sem sentido o meu menino é que me cala a boca. É no teu dia que a noite sempre volta, naquela tarde onde sempre essa ponte torta, eu mitifico com toda melancolia, toda essa vida que no ponto esperei, essa viagem um dia calará, em paisagem que carrega o meu lamento, eu te trucido com mecânica cidade e no meu carro eu carrego esse rei. Destruirei te adaptando ao meu corpo, e te movo um tanto cínico nesse fim. É morte certa que de presente eu te dou, esse diploma é que eu vou te deixar. Partirei na certa em qualquer estação-metrô, como cantiga que ciranda os passantes. Vou te deixar em qualquer ponte dessas tardes, um dia eu volto mas não vou te buscar.

 

 

David Cejkinski



Escrito por david cejkinski às 23h50
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Arrisque o seu corpo em qualquer historia de partida.

Verás que nada cala a alma de trás do morro da memória

A vida é paz que se quebra na rotina

Ainda que teu corpo dance um samba sobre o dia

Faz um tempo santo

Onde qualquer silencio arrasa o seu corpo nu

Par perfeito na hora do meu trânsito

Qualquer pranto me ataca no baú

Já dizia, eu já dizia quando dorme

Que falecer é correr em utopia

Na minha barca quente e esquecida

Jaz sua vida em folia repetida

Me traz um banco qualquer que eu me mudo

Fico sentado em outro lado do meu mundo

De traz do morro da memória já vai longe

A lucidez que me trucida e me corrompe

A minha vida já faz tempo que esqueci

De traz da morte minha mascará sorri

Que tanto faz onde me encontro agora

Quando lá fora só resta mar nessa memória

Me arranca longe no fundo do meu olho

Do torto comboio que dança no teu jogo

A lancinante historia de partida

Agora é tudo que fica no caminho

Essa fazenda onde piso em outro vinho

Por mais que a arte seja parte do meu cais

Já há algum tempo onde tudo tanto faz...

E na poesia onde eu ria outros tantos

Catei minha dor pra rimar os meus silêncios

É a ausência que mora em mim e me convém

Já nesse cais onde qualquer coisa é fugaz

A tatuagem marca a alma imoral

Em toda morte existe a festa do silencio

Que nem poesia traduz o seu jogral

A morte em tempos de corpo narrativo

Desfila o samba na rua do juízo

Parte da vida contada nessa historia

È pura gloria de outro riso, outro riso.

Então cantai o meu fatal destino

Grego silencio que toca no meu hino

Faz tempo então no trem da minha ausência

Que vou pra frente em franca decadência

 

 

 

 David Cejkinski



Escrito por david cejkinski às 18h37
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Vou controlar todos os contornos e superfícies que minha mão passar...

 

 

Vou contar a elas que nunca me separarei de suas linhas

 

 

Linhas são como sombras que te acompanham até em superfícies lânguidas

 

 

Completamente mãos até a hora da minha morte

 

 

As palmas que batem em frenética desistência de vida

 

 

Mãos jogadas nos espelhos refletidos de sua sina

 

 

 

Vou entregar minha mão de jeito que ela faça o destino mudar sua historia

 

 

 

Mãos que negam e denunciam, a cada passo dado um boletim de ocorrência pré-determinado em linhas...

 

 

 

Vou contornar minhas mãos em meu corpo e em outras linhas elas irão deslizar...

 

 

 

Vou alimentar minhas mãos com a junção de outro corpo e outras linhas

 

 

 

As linhas se encontram e se desencontram, como afluentes...

 

 

 

 

David Cejkinski

 



Escrito por david cejkinski às 21h26
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Quando a vida pede passagem entre os dedos das mãos

 

Ao som de Desafinado.

 

É esse vento forte Alfredo que cai fora das marginais e invade as ruas com a sustentação de todos os pulmões...Sabe Alfredo, faz tempo que não entendo essa torrente de pranto a invadir os prédios, as famílias, as pessoas, invade a mim com esse vazio imenso.Quando a vida pedir pra te deixar em paz, Alfredo, não de ouvidos a ela, se deixe enganar na beira do mar onde o tempo pára à espera de qualquer coisa que mude as marés do tempo.Quando criança eu menti para minha mãe que era feliz, lá pelos oito anos onde a vida é escola e festinha de colega, ela me via aos cantos quando todos dançavam Kid Abelha e brincavam de salada mista ou verdade ou conseqüência, eu acho que na verdade não foi nada disso.Faz tempo que já não entendo mais de mim, apesar de achar que muito sei de qualquer coisa.O importante eu acho, é que desde então minha vida é feita de conclusões umas tanto duvidosas, minha mãe perguntava: ”Querido, por que aí no canto? Ta tristinho?”, em silêncio afirmei para mim mesmo, mas nada disse a ela.Acho que essas coisas não se dizem a nenhuma mãe por mais verdade que isso seja.Para as mães os filhos são felizes e isso é sagrado. Já aos vinte e dois depois de muito blues e bossa nova, depois de muito processo criado com dor acho que encontrei a felicidade dobrando a esquina da Paulista com a Brigadeiro Luís Antonio.

Mesmo com o correio fora de moda decide te mandar essa carta porque não da para mandar via e-mail: Olha acho que agora vai dar certo! Nunca vou esquecer quando em Boiçucanga em um feriado chuvoso de final de ano nós discutimos feio por causa de uma bobagem qualquer que não me lembro, ou não quero me lembrar e desde então não mais nos falamos. Talvez por desinteresse de ambas as partes, talvez por que a vida passou rápido de mais ou talvez por qualquer uma dessas coisas que acontecem e não se sabe explicar o motivo.Na rodoviária você me disse que se um dia eu fosse feliz, se um dia eu me entendesse comigo mesmo era para lhe avisar com prioridade.Acho que essa hora chegou, pois bem Alfredo por mais ridículo que eu me sinta eu te comunico: Sou feliz. Pronto, acho que já disse tudo o que devia te dizer. Por mais que eu tente te escrever essa carta como uma verdadeira carta deve ser com folhas e folhas e rodeios e rodeios, a objetividade é bem cibernética, ninguém faz muitos rodeios por e-mail, as cartas já não são as mesmas, as confissões já não são românticas, viram fofoca ou deboche.Nada é mais levado a sério nem o romantismo, que atraso de vida também querer ser romântico ou existencialista na era digital, não?

As pessoas não têm mais tempo para ficar lendo tolices, as pessoas estão cada vez mais ávidas por algo que fale explicitamente ou implicitamente de sexo ou da vida do vizinho.Eu mesmo adoro revistas de fofocas, admito.Então pronto acho que já te disse o que precisava falar, me acredite agora sou feliz. Você deve estar no mínimo curioso para saber o que fez despertar tão estranho sentimento em mim? O mesmo vento que me invadiu aos oito anos.Invadiu minhas mãos, as unhas, os cabelos, a boca, o estomago, o sexo, a pele, os olhos o tempo.Logo ali: na esquina da Paulista com a Brigadeiro Luís Antonio depois de ver um filme do Bergman, acredita?Sim bem do Bergaman onde a vida é trágica e silenciosa. Desci para ir à padaria comprar cigarros e a vida pediu passagem em uma tarde perdida vendo filmes de arte sobre as frestas dos dedos para depois invadir o que já te contei. Até mesmo joguei o maço de cigarros novinho fora. Eu e os passantes éramos felizes, sei que todos eram e eu não sou de achar que todo mundo sente o que eu sinto, sim por que sempre tem esses (as) chatos (as) que acham que todo mundo sente, pensa ou quer a mesma coisa que ele (a). Eu só sei e pronto. E essa não é mais uma conclusão duvidosa.

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Será?

 

David Cejkinski



Escrito por david cejkinski às 21h43
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Deságua

 

Para Natalia Gonsales.

 

Ao som de violinos.

 

Como se fosse um anjo fumando, assim era Ana Lucia pelas tardes abafadas de Março onde seguia navegando entre ondas e marés instáveis de pessoas sobre a pedra.Ela transbordava junto com a fumaça dos carros algo de efêmero das grandes solidões entre muitos.Era como uma valsa metódica que desaguava por onde passava suas pernas e cigarros.Sua pele marcada dos 50 anos e a instabilidade de alguém que já suou e verteu todos os líquidos que seu corpo podia abandonar, era seca como a cidade.E seguia na Avenida Ipiranga com a sua pele alva e seca, seus olhos azuis e os cabelos abandonados sobre o vai-e-vem de almas, coisas e mistérios.Apesar de tudo era angelical como algo que se perdeu e se mantém aparentemente lúcido, era de uma loucura mansa.Entre embarcações de urbanos que se jogam sem salva-vidas nas torrentes de pedra, era assim que gostava de passar os sábados no centro da cidade.Não desperdiçava nada, nenhum personagem era desinteressante aos olhos de Ana.Tinha prazer em ver outros como ela, que eram secos como ela.E em especial aquela tarde, já que fazia quatro anos que seu marido faleceu.Desde então Ana se jogou em algo que não se explica, algo que é maior do que a linguagem e qualquer paixão.A vida seguia com levas de passantes pelas tardes de sábado como se sua vida fosse portas fechadas, livro que caem,dores que nascem, alguém em seu ultimo suspiro, o som de um violino que se dilui entre a lembrança de uma orquestra harmônica e algo dentro dela que fechou e não quer mais se abrir.

Se bem que esse mergulho já foi longe de mais em sábados atrás onde bolinou um garoto que conheceu no jardim da luz, ele e seus 15 aninhos, Ana gostava de bolinar anjos e de tomar seus leites, sucos, suor, para hidratar algo que secou em si.Varava então a vida em busca de líquido que preenchesse seu rio.Corromper: seu suco preferido, nada lhe dava mais prazer do que ver algo se perder.Foi assim que se perdeu e assim que devia ser.

Conheceu Mauricio em um bar da São Luís, pele morena, estatura mediana, cabelos castanhos e seus encantadores 14 anos.Ana não teve duvida, tinha de ser ele.Ele contou entre as mordidas rápidas que dava no pão de queijo que Ana lhe pagará que vivia na rua desde os 10 anos quando fugiu de casa onde seu pai espancava ele e sua mãe todos os dias, nunca mais voltou, e diz que mesmo na rua é mais feliz do que naqueles tempos. Ana ficou encantada.Levou o menino para sua casa, algo dentro dela dizia que aquele dia ia transbordar por fim o parasita que a infectou quatro anos atrás quando se perdeu e nunca mais se encontrou.Ana deu banho no menino, cortou suas unhas e até mesmo aparou seus cabelos, o menino que achava tudo muito estranho não se permitiu perguntas já que há tempos não era tratado tão bem.Ela deixou o menino no banheiro e pediu que ele a esperasse chamar por ele, foi até o armário de onde tirou seu vestido de noiva. Era um vestido simples, mas tinha uma longa calda o branco já estava um pouco encardido, Ana sabia que tinha de fazer aquilo.Vestiu tudo até mesmos a longa luva branca, colocou um batom e se olhou no espelhinho da sala, gostou do que viu.Quando ela chamou o menino para vir à sala ela estava radiante como no dia de seu casamento há tempos não sorria e sua pele até aceitava com dificuldade o seu largo sorriso estampado no rosto.Ele ficou atônito parado no centro da sala, nunca viu alguém vestido assim para ele, ficou encantado e levemente assustado com toda aquela cena.

Acalentado no colo dela com um sorriso de menino que acabou de chegar ao mundo ele se entregou para algo que devia ser realmente seguro, abraçou a barriga de Ana com cuidado para não estragar o vestido mais lindo que já viu na vida e de lá não queria mais sair, como se fosse um feto que encontrará por fim o útero que não teve, Mauricio sorriu para Ana como uma criança que sorri para algo desconhecido que esta preste a conhecer e a gostar, como brincar de fazer bolinhas de sabão, nadar na chuva, trocar os dentes de leite e pedir dinheiro para a fada dos dentes e tantas outras descobertas reconfortantes da infância.Eles juntos na sala, ele preso a ela com um feto morto, ela a mãe que nunca foi.Os dois uma família, juntos como algo que se perdeu, mas foi encontrado em uma tarde de sábado quando os tempos já não anunciavam vitórias e as pessoas levavam consigo uma ideologia duvidosa de vida. Da janela o sábado passava comum, de dentro do apartamento o tempo parou.

Ana não conseguia fazer o que pretendia, não conseguia simplesmente largar o menino no meio da sala se despir e ganhar a sua paz com o ritual que ela mesma inventou há anos atrás. O menino era especial, ela viu em seu olhar algo de tão ausente que nem ela se achava no direito de sugar mais. Ela olhou na parede a foto de tantos outros conhecidos iguais a ela, outros que sabiam ser sugados e sugar vidas como alguém que toma um suco de laranja em uma lanchonete vazia. “Eram amigos”, ela falou pra si própria.Algo dentro dela acontecia enquanto o menino a abraçava forte no estomago com cuidado para não amassar o vestido mais bonito que já viu na vida, Ana começou a soluçar e quanto mais ela soluçava mais ele a agarrava e o tempo não passava, o relógio se negava a navegar naquele apartamento pequeno, abafado e mobiliado com poucos moveis do centro de São Paulo, e quanto mais ele a abraçava mais ela se desesperava. O menino agora já estava totalmente envolto em Ana, ela segurava a cabeça dele querendo tirá-lo dali, mas de lá ele não se mexia, era quieto, sereno e frágil como um verdadeiro feto. Ela chorava agora e suas lágrimas a fizeram lembrar do dia de seu casamento onde não parava de chover uma garoa fina que a fez quase escorregar na saída da igreja, quanto mais ela ficava com o menino nela mais ela se debruçava sobre aquele dia.Lembrou da igreja, as flores, os convidados, a decoração feita por sua mãe, os primos distantes do interior, o violinista contratado por sua avó, o padre esquisito que sua madrinha fez questão de contratar já que ele é quem tinha a batizado quando neném, seu pai que já não estava bem, sua mãe preocupada com seu pai e por fim o Roberto que estava lindo e estampava no rosto o sorriso mais seguro que ela viu na vida.Quando Ana se debatia em seus devaneios o menino que agora agarrava forte o vestido (já que o cuidado com ele era algo que já não tinha mais importância) foi despertado da espécie de transe que havia entrado, ele agora precisava de algo a mais dela, não sabia explicar por que, mas foi com as mãos direto aos seios de Ana que agora já estava totalmente recostada no sofá de couro marrom com os olhos semi aberto, as lagrimas marcavam o vestido como um papel agredido pela tinha de uma caneta esferográfica.Ana nada fez quando Mauricio colocou seus mamilos na boca e ficou com eles imersos na sua saliva que era esquentada pelo calor dos seios de Ana. Mauricio ficou muito excitado com aquilo, contraía a mãos em seu pau que estava rijo, muito rijo.Nessa mesma posição Mauricio foi procurando com sua mão o sexo de Ana.Ela deixou.

Agora o relógio voltava a andar e as coisas eram como deviam ser.Ele a abraçou forte por uma ultima vez, e logo se encaixou nela, foram navegando por rios desconhecidos que indicavam desaguar no mar, a brisa anunciava os ventos salgados da maré.Transbordaram os desejos chegando ao mar onde é perigoso ser levado por uma correnteza, e foi o que aconteceu com Ana.

No meio daquele oceano-apartamento Ana se perdeu novamente em algo que é inominável, ele a procurava sobre aquelas águas, mas só conseguia ouvir seus berros falando para a deixar, para sair de lá, gritava desesperada com o menino dizendo que não o queria mais lá, gritava repetidamente para ele e para si mesma que já tinha o que verdadeiramente queria, o que verdadeiramente queria.Ele tentou falar com Ana, mas por mais que gritasse ele não a encontrava no meio de tanta água e correnteza. Ele foi nadando com dificuldade em direção a porta do pequeno apartamento, não queria sair, mas Ana agora já não pedia, ela gritava e ameaçava que se ele não fosse ia se abandonar naquelas águas para nunca mais emergir.Receoso ele abriu a porta e toda aquela água invadiu as escadas do prédio, os apartamentos, o poço do elevador para invadir as ruas, as casas, as lojas, outros prédios, empresas, shoppings, cinemas, teatros, parques, estradas e vidas. 

 

David Cejkinski

    




Escrito por david cejkinski às 19h51
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Eu.intoxico meus dias.eu.gosto de patê de zinco.eu.gasto parte do túnel em metódica folia.eu e a rotina.eu que muitas vezes outono.e eu.no castigo divino.eu que só quero e detono meu deus.me lavo e me sinto.eu.já dizia que aquilo que desliza no meu.detona o seu.carnaval de mentira.eu.você perde e detona essa cantiga de espera.eugostodevocênoteuegomansamentecegoeu.lamuria.que te rasga roupa.lamuria que te beija a boca e louca te faz cada instante esse inferno-eu.me diz o teu nome que eu faço musica os teus cacos e trilhos.eu maldosamente e meu rastros de filmes.eu não sou indiscreto em chuva de verão.eu quero algodão doce no boteco da esquina.eu paraliticamente feliz.eu.milimetricamente santo.eu que me nego um doce canto.eu que não enxergo esse gasto tema.eu que me movo no escuro de mim.essa coisa que não inquieta dentro do eu é a droga que me intoxica.eu.

 

Obs: é esse blog ta meio egocêntrico ehehhehe. isso passa tambem :P



Escrito por david cejkinski às 19h17
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Desabafo

 

Eu sou a água suja da poça que dilui entre os carros sobre a pedra.

Eu sou como devia ser, moldado em uma musica contemporânea.

Eu que lavo com meus músculos a rua de tombo

E passo correndo pelado nas vitrines de outono

Era, e como era pra ser mais simples...

Enjoado como verão fora de época

Eu sou como gota promissora no agreste

Que tarda a pingar, mas no fim da historia sempre esta lá.

Eu, como eu queria ser eu mesmo todo dia.

Praticamente uma rotina de ego.

Onde o faz-de-conta começa quando me canso de mim mesmo

Eu que flerto todos os dias com um destino certo

Mas desvio entre minhas milhares de sinas, e acabo no abismo

Mansamente estofado no meu conformismo

Eu sou como chuva agridoce no verão

Que escorre entre os paralelepípedos de uma cidade histórica

Como canais confusos de uma geografia previsível

Eu que me lanço ao leu das historias

E acabo sempre me ferindo.



Escrito por david cejkinski às 19h04
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A Linguagem liberta aquilo que me prende agora.



Escrito por david cejkinski às 19h03
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Acalanto

 

Sabe quando a cidade transborda as marginais de um tempo que não passou...

Talvez teus néons traduzem essa sua maquiagem de uma beleza artificial

Uma beleza feita desse ópio de cidade muda

É feita de mentira a poesia de pedra

Tem gosto de catraca corrida

No metrô em horário de rush

 

Passa, passa como pedestre com pressa em avenida larga.

Passa, passa e não sorri de graça no semáforo metal.

Passa e passa cada mão suada uma historia ouvida

E passa na vida essa métrica mecânica dos meus olhos tortos

 

A vida escorre no centro da cidade feito corrimão

Pernas longas de Anhangabaú

Faz tempo que o vento leste inunda as gangorras de valores

Listrados ternos cruzam em sincronia pura os andares de luxo

Cada qual tem destino de vinco

Acertados feito relógio suíço

 

Faz dias que a maré subiu na Santa Cecília

Faz dias que subi a avenida mesclada

Abrace-me bueiros e pedras

As lagrimas escorrem do meu asfalto ao teu

Somos feitos de nada e o concreto confirma a nossa frieza

Anchieta fundou em teu pátio um breu

Late como jesuíta na inquisição

E queima minhas pernas profanas

Lambe como alecrim a vida

E explode a ordem da historia

Nada completa na cidade que engana

 

Era feita de ópio a Meca de cocaína

Paraísos artificiais em cada esquina

Estupro e gosto de destruir minhas retas avenidas

Me encharco feito menina na augusta, com pernas longas e cinta-liga.

A sombra completa no cemitério volante

É um desfile notório de caixões ambulantes

De-me um dinheiro qualquer que te faço feliz na cidade

 

Por isso te acalme as pernas

Complete sua vida com minhas ruas paralelas

Feito metade de um transito

Ouço, ouço como um verdadeiro engano.

Então te acalmes

As buzinas colorem sua rua

Então te desacelere

E me bata com tuas faixas brancas no negro asfalto

Me tome como pedestre em avenida suja

E acalante minha magoas de pedra

Como em uma roda-gigante de solitários

Me de a mão no alto do parque

Tenho certeza que vamos conseguir conquistar as ruas de ladrilhos claros.

 

 

David Cejkinski 08/02/2008

 

 

 



Escrito por david cejkinski às 00h53
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Acelero feito carro na estrada.

Quero me deter nos teus poros de pedra

Faço de tua pele uma escada mítica

E lembro que eu gosto da minha dorzinha solitária

Gosto do meu aquário de lagrimas

Não sei como fui te encontrar em um mar de corpos

 

Me diz uma sonata metódica?

Me explica o que acontece em tua pele salgada?

 

Como em uma calada de morte, assim foi quando eu te vi intrínseco na minha pele.

Daí foi como dizem que é.

E eu já me detonei nesse samba.

Mesmo sabendo o final.

Olhei pro céu que te apresento em vigília

Você nada sabe dos astros

 

Você gosta de mim?

Me explica como funciona o teu mapa astral? Explica?

 

Persigo a tatuagem dos meus dias.

Mantendo sempre esse dilúvio em voga.

Me retira e me tira da minha ira?

Faz tanto tempo que tudo me apavora

Feito as pontes do centro da cidade

Tenho talento para as quedas suicidas.

 

Dói amar?

Me explica como é que a gente faz quando não se sabe se ama?

 

Eu já quero derramar o meu copo em vinho doce.

Mesmo sabendo que vou ficar bêbado no final

E nada vai ser urgente

Nem o meu corpo vai gritar seu nome.

Talvez minha alma ainda retraia seu sorriso

E como em uma bossa-nova vou falar que não sei amar.

 

Você já amou?

Me explica como é que se faz amor?

 

Davyd Cejinski

 



Escrito por david cejkinski às 01h03
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Réquiem

 

 

Se eu te falasse que cada parte do quarto é preenchido nos teus braços, teu lirismo.

E nada é vulgar já que nada faz sentido no seu mundo histérico.

 

Falava da vida assim como um corpo entregue ao nada

 

Falava de poesia como quem faz parte da historia contada.

 

De dias perdidos era feito o seu diário.

Nada transcreve esse estado de poesia plena no armário do teu corpo

 

Hoje nadando entre paulistanos percebi teu quadro de ausência.

Sei que tudo é palavra enquanto somos sozinhos nessa cidade

Mas não me deixe quando as horas voam em estados menores de vida.

 

Um dia vou te pegar e não te deixar partir

Porque eu vou partir.

E as palavras não vão reconstruir os meus cacos

Eu vou partir

E nada impede da vida parar de tocar essa musica medonha

Já te deixei na esquina, já te coloquei em minha vala, já te perdoei quando menina e nada que valha sua velha sala de merda.

 

Era um dia púrpura que cobria os meus cacos no asfalto

Era como se fosse domingo pela manhã.

 

Um dia vou voltar e dizer que agora tudo é vulgar

Um dia quem sabe você vai dizer que tudo o que resta é essa masturbação urbana de sexo, trabalho e consumismo.

 

Cantarei um réquiem capaz de calar minha ira.

No meio da paulista serei feliz...

Como um brinde de champanhe fora de época.

 

Davyd Cejinski

 



Escrito por david cejkinski às 02h18
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 15 a 19 anos, Portuguese, Arte e cultura, Cinema e vídeo
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