Um poema das multidões solitarias, e da solidão entre multidões:
Ensaio dos solitários.
São tantas as pessoas E são tantas as palavras E são tantas submissões rotineiras E o amargo do dia E o amargo da vida A constante carência de atenção A desilusão A solidão As horas A vida... Na rotina urbana sempre tão comunicativa E essa constante solidão Essa poesia declarada da carência urbana Na cidade de multidões a sós Em uma valsa melancólica de todos os diálogos fracassados Eu penso que todos existem em minha volta Mas o silencio me consome A angustia... Nas cores e letreiros da cidade não restam mais fugas Na vida calada uma vida, contemporânea. Uma vida cansada A solidão que fica, nos pontos de ônibus atrasados. Nos artistas buscando o que dizer Na televisão cansada de entreter pessoas vazias Uma palavra, um grito, uma hora refugiada na espera do por que... Estamos sos entre muitos, estamos sempre com muitos a sós. Em um mudo que roda na nostalgia de amores não acontecidos Um vicio é pouco para preencher a decepção do vazio. O silencio fica, e toca uma eterna valsa sem harmonia. Busco no que me refugiar e desabo no desanimo Desabo em um mar morno que me acalma a solidão Vou para um ensaio onde os solitários miram uma eterna paixão Uma constate vontade de tomar uma pílula que resolva os meus problemas E os solitários miram a minha carência E julgam a solidão coletiva ignorando o silencio do dia. Os solitários são amantes do descaso... Na solidão os urbanos se divertem em seus luminosos corações, e outdoors de angustias.
David cejkinski
Escrito por david cejkinski às 14h54
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