HOLOCAUSTO:

( Campos de concentração de Buchenwald. Fotografia tirada no dia da libertação do campo pelas tropas aliadas em Abril de 1945. No segundo andar do beliche, o sétimo a contar da esquerda é Elie Wiesel e no andar de cima o seu primo, o segundo (aparentemente) palitando os dentes. Todos são testemunhas)
(Foto retirada de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Holocausto)
UMA CARTA PARA O AMANHA
Hoje ,não sei se vai Ter amanha
Se a esperança do sol com os seus raios de vida vão brilhar em meus olhos
Se a vida com seus cheiros de infâncias mal resolvidas, vão reinar em minha memória
A incerteza do amor , da melancolia, da depressão nem isso mais terei direito de ter...
Hoje tudo é cinza
O cheiro desse quarto me enjoa, to fraca e doente
Os dementes me deram hora marcada para morrer
Eu mesmo assim me pergunto se ainda quero viver
Hoje nada me importa
O frio , a fome nada mais me mete medo
A família já esta esquecida em minha vala
Não tenho fome ,não tenho vontade, não penso, não sei...
Hoje a injustiça não existe
Falam que devo morrer pôr ser judia, mas hoje não sei se isso me incomoda...
As horas passam como se fosse uma tortura sem fim...
Eu espero com um certo alivio meu fim...
Hoje me dou conta
Que a sociedade, o mundo ri da minha desgraça
Um dia tiraram uma foto minha sub nutrida
A foto , o retrato do purgatório terrestre
Hoje tudo cheira pus
As chaminés não param de cuspir almas para o alem
Eu olho tudo e penso que não existo
Mas logo desisto
Hoje a histeria por todos cantos
Tantos demônios me cercam a alma
Da janela vejo a desgraça
E com uma certa loucura já acho graça
Hoje a paz se tornou utopia
Olho uma criança agonizando e vejo a esperança morrendo
Hoje a saliva tem gosto de esgoto
A minha pele fria não sente mais frio
Hoje olho tudo mas não vejo futuro
As paredes são testemunhas caladas do crime
Nada mais me reprime
Eles chegaram...
ADEUS
David Cejkinski 23-05-2005
Escrito por david cejkinski às 11h24
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