
Terminei de ler a pouco o livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu e confesso que me emocionou muito! Grifei e passei para o computado alguns trechos realmente muitos bem escritos e que me causaram arrepios!(risos) Ai os segue:
Morangos Mofados:
“(...), mas não queria chegar na casa dele meio bêbado, hálito fedendo, não queria que ele pensasse que eu andava bebendo, e eu andava, todo dia um bom pretexto, e fui pensando também que ele ia pensar que eu andava sem dinheiro, chegando a pé naquela chuva toda, e eu andava, estomago dolorido de fome, e eu não queria que ele pensasse que eu andava insone, e eu andava, roxas olheiras, teria que ter cuidado com o lábio inferior ao sorrir, se sorrisse, e quase certamente sim, quando o encontrasse, para que não visse o dente quebrado e pensasse que eu andava relaxado, se ir ao dentista, e eu andava, e tudo que eu andava fazendo sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era u, e eu era. (...)”
(Parte do conto Além do Ponto, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).
“(...) Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa mascaras. (...)”.
(Parte do conto Terça Feira Gorda, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).
“(...) Alguma coisa que jamais teria, e tão cociente que estava dessa para sempre ausência que, por paradoxal que pareça, era completo nesse estado de carência plena (...)”.
(parte do conto Transformações, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).
“(...) com champanhe fervilhante de luxuria, línguas divididas na volúpia, corpos ensandecidos na selvageria dos gestos mais furiosos e mais amenos, entre suores, gemidos e secreções de líquidos pujantes feito cachoeiras tropicais, sete quedas, sete orgasmos terei eu de cada vez que me engole náufraga em sua ejaculação amazônica. (...)”.
(Parte do conto Fotografias, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).
“(...) é daquele emaranhado de dor e angustia fria e solidão escura que ela arranca essa beleza que joga para fora. (...)”.
(Parte do conto Caixinha de Música, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).
“(...) Na parede a natureza-morta com secas uvas brancas, pêras pálidas, macilentas maçãs verdes. Nenhuma melancia escancarada, nenhuma pitanga madura, nenhuma manga molhada, nenhum morango sangrento. Um morango mofado -este gosto, senhor, sempre presente em minha boca? (...)”.
(Parte do Conto Morangos Mofados, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).
“(...) Abriu os dedos. Absolutamente calmo absolutamente só enquanto considerava atento, observando os canteiros de cimentos: será possível plantar morangos aqui? Ou se não aqui, procurar algum lugar em outro lugar? Frescos Morangos vivos e vermelhos.
Achava que sim.
Que sim.
Sim.”“.
(Parte do conto Morangos Mofados, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).
Escrito por david cejkinski às 15h11
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