
Belmonte ou o nascimento de um cinema com personalidade Brasileira.
É verdade que na arte no jogo e no amor não tem regras, mas também é verdade que isso anda meio esquecido!
O panorama cinematográfico brasileiro andava a um bom tempo na mesmice de uma direção reles sem grandes novidades artísticas e realizações perturbadoras, sim nos já tivemos os nossos bons diretores como Glauber Rocha, Pereira dos Santos entre outros que fizeram o cinema novo ser um movimento produtivo e de uma certa forma contestadora para a época que este movimento aconteceu.
O cinema, verdade, ainda engatinha em busca de uma estética inovadora que ultrapasse apenas uma boa iluminação ou uma boa fotografia e um roteiro naturalista cheio de clichês da vida moderna, o teatro já há muitos anos faz essa quebra de estética muito bem e muito melhor do que o cinema o “problema” do teatro é que ele não atinge tantas pessoas quanto o cinema coisa valiosa em nossos dias globalizados.
O Brasil tem sim bons diretores de teatro como Antunes Filho, José Celso Martinez Correa, Gerald Thomas e agora um diretor que vem também nascendo e se tornando importante para o panorama teatral paulistano: Rodolfo Garcia Vázquez (Os Satyros). Todos estes diretores tem uma preocupação de dirigir uma obra artística com uma assinatura muito pessoal, uma impressão artística muito particular sobre a obra que esta sendo dirigida.
O teatro já consegue fazer isso um pouco melhor que o cinema, mas eis que neste panorama sem sal de nosso cinema vem surgindo um diretor que tem bastante sensibilidade e inteligência em seus roteiros e coerência absoluta em sua forma de filmar.
Belmonte comprovou para min ao ver o seu primeiro longa Subterrâneos que ainda é possível acreditar em um cinema com textura, cheiro e vertigem independente de patrocínios ou apoio de incentivos fiscais.
O meu primeiro contato com tal cineasta se deu através do filme A concepção no qual tive o prazer de ir á estréia convidado de minha amiga a atriz Rosanne Holland, a primeira impressão que tive sobre a obra de tal cineasta foi êxtase, nunca vi em cinema nenhum seja ele europeu, asiático ou oriental tal tipo de ousadia e experimentação cinematográfica. Os personagens de Belmonte padecem de uma doença destrutiva e imperdoável: ser urbano. Tal qualidade para seus roteiros (ao menos para estes dois filmes) é de uma sina trágica ou se preferir dramática já que a tragédia só a sociedade clássica tinha o direito de ter (risos) ser urbano para Belmonte é padecer de solidão, tesão, angustia e rotina já que os seus personagens em A concepção vivem para se reinventar todos os dias em busca de uma vida nova longe de tantas tragédias ou dramas da realidade contemporânea urbana. Seu cinema tem cor, textura, cheiro, e vertigem qualidades necessária para um diretor fazer a sua assinatura presente como David Lynch e Almodóvar para min os grandes diretores das ultimas décadas.
Tenho esperança que com o nascimento de Belmonte o cinema nacional tenha outros diretores que tragam mais deste universo instigante e perturbador que é ser Cineasta nestes pais.
David Cejkinski 09-11-2006
Escrito por david cejkinski às 18h14
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