Depois de um mês e meio de silencio volto a escrever, porem a partir de agora vou escrever quando me der realmente muita vontade srsrsr :P

(Texto que começou a ser escrito no dia 19-12-2006)

2006:

 

Alguns acontecimentos me marcaram no ano que passou, este texto narra algumas coisas que me marcaram em um ano de grandes transformações!

 

A Experiência de gravar um filme de arte para circuito comercial no Brasil:

 

Era quente o dia naquele início de ano, era um tanto animador a lembrança deixada pelas férias escolares.Terminando de gravar uma curta metragem e voltando para casa ligaram no meu finado celular avisando que eu havia passado na primeira etapa do teste que eu havia feito 4 ou 5 meses antes. Eram muitos, ficaram 8. Foi uma noticia uma tanto animadora, mas perturbadora, muita ansiedade e duvida sobre tal teste me cercava porem os dias passaram e eu fui fazer o tal teste.

Tinha sol, muito sol mesmo por aqueles dias e ventava com a petulância de um janeiro quente em meio a uma cidade triste e fria. Fui de trem ao estúdio (era a segunda vez que pegava um trem na vida a primeira vez foi para o primeiro teste, e eu quase fui assaltado saindo da estação) era no CEASA o estúdio, cheguei anunciaram meu nome e me direcionei ao estúdio que estavam realizando os testes finais...

Resumindo: após o teste no dia seguinte me informaram que eu havia passado e devia passar por mais duas semanas de teste no estúdio Fátima Toledo com mais um ator concorrendo ao mesmo papel. Eu não tinha informações sobre o roteiro até então.

Sabia mais ou menos do que se tratava, um nerd-burgues que abrigava uma crazy-gril em seu lar de classe média alta paulistana (falando de uma forma extremamente rotuladora).

Foram duas semas que até hoje nem sei como consegui vencer, precisei de muita resistência física e psicológica para suportar todos os exercícios propostos pelo preparador de elenco. Com uma atmosfera visceral fui entendendo mais ou menos o que era o filme e de qual atmosfera ele falava. Passando essa difícil etapa começamos a preparação de elenco para as gravações com os atores do núcleo central do filme: Leandra Leal, Rosanne Holland (queridíssima sempre!), Munir Kanaan, eu e mais tarde Juliano Cazarré.

Seria exaustivo escrever todos os conflitos, angustias e alegrias que senti por esses dias! Foi trabalho duro! Uma verdadeira batalha para vencer com muita garra o mal estar de estar apreendendo uma interpretação extremada que busca o realismo em todos os seus momentos com o personagem.

Hoje sei que foi necessário para gravar o filme, porém acredito que existe outro método para conseguir a verdade cênica sem tanto envolvimento pessoal com a personagem, mas o roteiro pedia um filme forte, que espantava pela realidade interpretativa.

Gravando “Uma Historia Real” percebi que a vida era um poema urbano e que se você não vivesse conforme a métrica provavelmente ia ser atropelado por qualquer rima desafinada de uma cidade cruel feita para os superegos. Hoje entendo isso com plenitude, coisa que ainda não era muito clara naquele inicio de ano. Para min “Historia Real” é um marco profissional e pessoal, uma transformação total de minha vida a partir daquele acontecimento. Era como se São Paulo tivesse me olhando e só agora eu conseguisse desvendar os urbanos com os seus olhos semafóricos (como diz Caio F. Abreu).

Transformação esse é o nome da batalha enfrentada este ano, a transformação de uma adolescente perante a realidade pessoal e profissional em um Adulto? (Será?)



Escrito por david cejkinski às 12h20
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Do pudico ao sádico?:

 

Ao gravar o filme fiquei surpreso com a noticia dada pelo diretor (Murilo Salles), eu teria que protagonizar uma masturbação “real” em uma cena do roteiro que nunca passou pela minha cabeça que seria gravada em plano aberto.

Guerra. Essa é a palavra que descreve essa cena (risos) nunca havia imaginado começar a carreira nu no cinema para milhares de pessoas verem, sempre tive problema com o nu artístico, sempre pensei que tirar a roupa só em ultimo caso!

Ora veja as brincadeiras que o destino nos bota, agora eu era um jovem de 17 anos judeu (apesar de não seguir a religião) que devia avisar a sua mãe prestes a assinar o contrato do filme que eu ia aparecer pelado e me masturbando em um filme para toda a comunidade judaica (meio em que minha mãe trabalha) ver!

“NÃO ASSINO! DE JEITO NENHUM! SO SE O SEU PAI PERMITIR!”.

Era praticamente impossível na minha cabeça imaginar que meu pai aceitaria uma coisa dessas bem ele que é bem mais rígido do que ela! Mas aceitou!

CONTRATO ASSINADO.

Fátima Toledo: entrega total, corpo e alma, lutas físicas (pra valer!) apanhar e bater de verdade (bem eu que detesto bater e apanhar hehehehe) hematomas, dores musculares, exercícios de carga emocional pesadíssimos, tirar a ROUPA E A MASCARA!

REVELAR OS SEUS MEDOS PARA AS CAMERAS, AS SUAS ANSIEDADES E ANGUSTIAS. SEXUALIDADE, CORPOS NUS, CORPOS GLOBAIS NUS!(RISOS) DEMITIFICAÇÃO DA CELEBRIDADE (DESCOBRIR QUE ELA É LEGAL E CHATA COMO TODOS NÓS) DRAMAS, CONFLITOS, SOCIEDADE, COLEGAS, PROFESSORES, COLEGIO, MEDOS, ALEGRIAS E CONQUISTAS!

LIGUEI O FODA-SE.

GRAVEI!

UFA!

Gravei a cena, porem não gravei como devia ser (risos) o set de filmagem tava acabando e eu gravei a cena em fim como poderei falar disso... È de pau mole (risos) não havia tempo o suficiente para me “concentrar” e gravei assim mesmo, mas a cena ficou “crível” e é isso o que importa (DETALHES SORDIDOS: P).

(ATAQUES DE RISOS EM FRENTE AO COMPUTADOR)

Bem passado essa fase conturbada pela punheta (risos) eu pensei que eu era realmente MUITO CORAJOSO EM BATER PUNHETA DE PAU MOLE NO CINEMA E TAVA BEM SATISFEITO COMIGO!!!!

:D



Escrito por david cejkinski às 12h19
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:D

Eis quando o meu amigo Chico Ribas me avisa que já estréio uma peça que ele estava ensaiando com o grupo Os Satyros e gostaria que eu fosse ver.

A peça era os 120 dias de Sodoma.

Marco do meu ponto de vista sobre a necessidade do nu na profissão do ator. Não vou narrar a peça, mas ela se resumia em um grupo de libertinos que a adaptação deixava á entender que eram políticos de nosso digníssimo país que seqüestravam um grupo de meninos e meninas para abusar sexualmente até o fim do ciclo narrado pertubadoramente pelo Marques de Sade com o ciclo das paixões assassinadas em que todas as crianças eram abusadas e torturadas sadicamente até a sua morte.

CATARSE!

MEDO DE SER BRASILEIRO. E SEMPRE CONCORDAR COM AS BARBARIDADES FEITAS PELOS NOSSOS POLÍTICOS. SEMPRE ACEITAR PASSIVAMENTE TUDO, COMO UMA VITIMA DA MAQUINA OPRESSORA QUE É A IMPOSSIBILIDADE DE DESENVOLVIMENTO SOCIO ECONOMICO DOS MAIS NESCESSITADOS DESTE PAÍS LINDO E TRIGUEIRO.

SADE descreve como ninguém a mente humana e a necessidade de destruição para o prazer que o ser humano tem.

DENUNCIA.

REFLEXÃO.

Será então que não vale a pena tirar a roupa e realmente denunciar a realidade política e sexual de nosso povo?

Será que a arte não é muito mais do que uma vaidade?

Será?

Será que não vale a pena realmente TIRAR A ROUPA E MOSTRAR O CÚ PARA ESSA SOCIEDADE HIPOCRITA E PASSIVA PERANTE AOS PROBLEMAS QUE NOS CERCAM?

O nu seja ele em qualquer situação, choca e denuncia então tiremos todos as roupas e provocaremos umas sociedades pudicas, moralistas, covarde e passiva!

CADÊ O PUDOR QUANDO VOCÊ VE TODOS OS DIAS O JORNAL NACIONAL? E VÊ QUE NÃO SEI QUANTOS FORAM MORTOS POR DINHEIRO, OUTROS FORAM MORTOS POR ACASO, ALGUNS MORRERAM DE FOME, OUTROS MORREM POR INTERESSES POLITICOS, OUTROS POR RELIGIÃO E QUE A SUA “VIZINHA” FOI VIOLENTADA SEXUALMENTE E O CRIMINOSO FUGIU! MAS TUDO BEM NÃO É COMIGO MESMO, COMIGO NUNCA VAI ACONTECER UMA COISA DESSAS! (NÃO É ASSIM QUE VOCÊ PENSA?), MAS MESMO ASSIM SOMOS GLOBALIZADOS NÃO SOMOS? ENTAO...

Pois eu pensava assim e vi que a arte seja ela qual for o meio tem o dever de denunciar! Gerar conflito e discutir sem hipocrisia a mente humana e a sua verdade.

Por isso o pudor nesses tempos de neblina é uma coisa nojenta e hipócrita, que deve ser repensada todos os dias em que mesmo sabendo das desgraças não fazemos nada e nem falamos nada simplesmente ficamos CALADOS!

EU COMO ATOR SEMPRE TEREI A MAIOR ALEGRIA E O DEVER DE DENUNCIAR E CHOCAR UMA SOCIEDADE HIPOCRITA E EM PROVOCAR OS MAIS DIVERSOS SENTIMENTOS E REFLEXÕES SOCIAIS E PSICOLOGICOS DA MENTE HUMANA!



Escrito por david cejkinski às 12h19
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Da interpretação naturalista extrema à interpretação absurda extrema:

 

Coisa curiosa aconteceu esse ano, trabalhei com duas linhas totalmente opostas em um mesmo ano o Naturalismo (filme) e o absurdo ( O Grande Jardim das Delicias-Teatro).

Sempre quis mesclar essas duas linhas em um curto período para realmente “sentir” qual é a linha em que eu me “encaixo” melhor. Porem tive uma agradável supressa, descobri que seja a linguagem interpretativa que você estiver usando no palco ou em frente a uma câmera o que importa é a verdade e a mensagem que esta sendo passada.

Lógico é muito mais “dolorido” você se expor e se envolver de corpo e alma com um personagem (Naturalismo), mas a mesma dificuldade existe em uma interpretação absurda cheia de caras e bocas. Você tem uma catarse imensa através da metáfora apresentada pelo texto como é comum no teatro do absurdo (movimento literário-teatral do pós-guerra que através de uma estética de desconstrução da personagem e do texto visava falar do sentimento de angustia, desespero, vazio e falta de comunicação entre a relação humana).

Sempre achei que o absurdo era mais interessante como estética de interpretação, mas hoje vejo que as duas linhas são bem interessantes e complicadas de se trabalhar (cada uma com o seu aspecto).

No naturalismo você tem que se descobrir e mostrar como realmente você é para um bando de desconhecidos, e no absurdo você tem que se anular completamente e buscar uma pessoa totalmente diferente de você para que o texto e a metáfora apresentada tenha um sentido dramático.

DESCOBRI QUE TUDO É ARTE, SEM PRECONCEITO! TODA ESTÉTICA É VALIDA QUANDO A ENTREGA DO ATOR É GRANDE!

 

 (Benito- O grande jardim das delicias)



Escrito por david cejkinski às 12h18
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Frases 2006:

 

“A religião é uma neurose coletiva”

(Esqueci o autor :P)

 

“Algumas coisas podiam mudar só algumas coisas!”

(A vida na praça Roosvelt-peça)

 

“ È a purificação”

( O Grande Jardim das delicias)

 

“Sim eu vivo em tempos negros!”

(Bertold Brech)

 

"Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro."

(Caio F. Abreu)

 

"Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara.”

(Caio F. Abreu)

 

"Como se eu estivesse fora do movimento da vida.”

(Caio F. Abreu)

 

“(...) Alguma coisa que jamais teria, e tão cociente que estava dessa para sempre ausência que, por paradoxal que pareça, era completo nesse estado de carência plena (...)”.

(parte do conto Transformações, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).

 

“(...) é daquele emaranhado de dor e angustia fria e solidão escura que ela arranca essa beleza que joga para fora. (...)”.

(Parte do conto Caixinha de Música, do livro Morangos Mofados de Caio Fernando de Abreu).

 



Escrito por david cejkinski às 12h17
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“Eu vou te deixar!”

(Fim de jogo)

 

 

“Hora de representar”

(Fim de jogo”

 

“Dinheiro interessa!”

(Guilherme- Uma historia real)

 

“E então vamos?”

(Esperando Godot)

 

“Sempre achei mais fácil fuder o homem do que compreende-lo!”

(Os 120 dias de Sodoma)

 

“A desconfiabilidade do mundo”

(Inocência)

 

“ Sai da frente para que eu possa te ver!”

(Fátima Toledo)

 

“Sempre à algo de ausente que me atormenta!”

(Camile Claudel dita por Carol)

 

“Vou contar um segredo: a vida tem gosto de açúcar....

Tudo tão mais simples....

Mais simples...”

 

(David Cejkinski)

 

“ Ai Wilsom vai!”

(Autor desconhecido)

 

 

"A ditadura esta em alta"

(minha amiga Alessandra respondendo a uma questao da prova de historia haahahhaahahhahahahaha)

 

“Eu também queria ter dinheiro para queimar”

(dita por um morador de rua em Camburi no ano novo em meio aos fogos de artifício)

 

E muitas outras que me esqueci ehehhehehe :p

 



Escrito por david cejkinski às 12h17
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Poesia do ano:

 

 

Ópio Literário

 

Na esquina de meu trabalhado lustre de acostamentos e apoios, eu vi minhas esquinas separadas por comboios!

Lisbon Revisted, Fernando Pessoa e a sua revista na boa!

Com suas meninas-medusas, e seus drops de hortelã cuspidos em praça pública.

Inalados pelo cheiro de vomito das ruas desertas medusamene afastadas de suas nuances suadas...

Saudosamente interrompida e perdida no Listerine de sua boca-gengibre, paixão à la carte na mesa de um boteco do centro da cidade...

Entre tantos poemas e lemas desconcertantes tomei refrigerantes de ópio, remorso de Drummond e suas 7 faces.

Poesia na ilha de caras raladas e maltratadas, neste beco incerto e escuro, aonde moro sozinho e imundo...

Fazendo poemas incertos de bocas rasgadas e vomitadas, em um tempo horroroso e raivoso tentei pegar seu Malboro.

Ameacei constantemente uma droga poética, louca e incoerente, viva nas esquinas jogadas em seus óculos extravagantes e marcantes tão supostamente falsos quanto a sua filosofia...

Decorei seu veneno e me remeti a sua poesia, a sua insuportável alma Itabirana, com a sua pornografia poética Sadiana...

Nos bares da Augusta revi o remorso de Bandeira, pintei aquarelas de Tarsila extravagantes a moda estrangeira...

Traguei Virginia Woolf na praça Roosevelt, cantei o hino francês na praça da República!

O ópio da poesia, latejando em minha mente suas frases incoerentes com suas bocas sedutoras...

Latente de seu céu tão bonito, incoerente, mas tão rico de sua historias tão banais...

Fazer, sua rota (historia torta) lancei gritos e murmúrios para tantas Cecilias e Bárbaras fugazes...

Nasci e remei o meu destino furei bolos e comboios e sambei em meus vitrais!

Viva para as vidas Hollywoodianas!

Para as marcas de seus tortos carnavais!

Fantasias musicais e rebeldia literária...

Lançada no teu grande ne me quite pás...

Em seus pés rosados de tantas lutas suportadas, em seu ópio derradeiro e suado marinheiro...

Jogado em sua forma americana way of life

Tragando tantos looks from american em seus prédios, tantos prédios imortais...

Hispânico e tântrico lavaram minha doce vontade de poesia, cores, amores, vento, pele, gozo, Almodóvar em sua forma extravagante em seu vestido alucinante cor de angustia afundado em seu insuportável sexy vontade de palavras realizadas, com seu terno Armani e seus óculos Ryban!

Lancei em sua boca vaga-lume, na sua porta Ferry Boat no seu olho sedutoramente Europeu...

Arranquei de meu peito a poesia e cantei Melancolia em suas rimas urbanas e mundanas...

São Paulo de forma tão vadia, seu teatro e poesia Americanamente nos sinais de trânsito pedindo esmolas e carinho para as madames em seus Tayers de linho...

Alugados em seus ninhos medíocres e lustrosos vendavais...

Soprei minha paixão do coração e a poesia ria de meus jogos estrangeiros ao meio de seus tortos anjos e demônios de São Paulo e seus habitantes imorais!

 

David Cejkinski

 

01-10-2006

 



Escrito por david cejkinski às 12h13
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