Poesia do ano:
Ópio Literário
Na esquina de meu trabalhado lustre de acostamentos e apoios, eu vi minhas esquinas separadas por comboios!
Lisbon Revisted, Fernando Pessoa e a sua revista na boa!
Com suas meninas-medusas, e seus drops de hortelã cuspidos em praça pública.
Inalados pelo cheiro de vomito das ruas desertas medusamene afastadas de suas nuances suadas...
Saudosamente interrompida e perdida no Listerine de sua boca-gengibre, paixão à la carte na mesa de um boteco do centro da cidade...
Entre tantos poemas e lemas desconcertantes tomei refrigerantes de ópio, remorso de Drummond e suas 7 faces.
Poesia na ilha de caras raladas e maltratadas, neste beco incerto e escuro, aonde moro sozinho e imundo...
Fazendo poemas incertos de bocas rasgadas e vomitadas, em um tempo horroroso e raivoso tentei pegar seu Malboro.
Ameacei constantemente uma droga poética, louca e incoerente, viva nas esquinas jogadas em seus óculos extravagantes e marcantes tão supostamente falsos quanto a sua filosofia...
Decorei seu veneno e me remeti a sua poesia, a sua insuportável alma Itabirana, com a sua pornografia poética Sadiana...
Nos bares da Augusta revi o remorso de Bandeira, pintei aquarelas de Tarsila extravagantes a moda estrangeira...
Traguei Virginia Woolf na praça Roosevelt, cantei o hino francês na praça da República!
O ópio da poesia, latejando em minha mente suas frases incoerentes com suas bocas sedutoras...
Latente de seu céu tão bonito, incoerente, mas tão rico de sua historias tão banais...
Fazer, sua rota (historia torta) lancei gritos e murmúrios para tantas Cecilias e Bárbaras fugazes...
Nasci e remei o meu destino furei bolos e comboios e sambei em meus vitrais!
Viva para as vidas Hollywoodianas!
Para as marcas de seus tortos carnavais!
Fantasias musicais e rebeldia literária...
Lançada no teu grande ne me quite pás...
Em seus pés rosados de tantas lutas suportadas, em seu ópio derradeiro e suado marinheiro...
Jogado em sua forma americana way of life
Tragando tantos looks from american em seus prédios, tantos prédios imortais...
Hispânico e tântrico lavaram minha doce vontade de poesia, cores, amores, vento, pele, gozo, Almodóvar em sua forma extravagante em seu vestido alucinante cor de angustia afundado em seu insuportável sexy vontade de palavras realizadas, com seu terno Armani e seus óculos Ryban!
Lancei em sua boca vaga-lume, na sua porta Ferry Boat no seu olho sedutoramente Europeu...
Arranquei de meu peito a poesia e cantei Melancolia em suas rimas urbanas e mundanas...
São Paulo de forma tão vadia, seu teatro e poesia Americanamente nos sinais de trânsito pedindo esmolas e carinho para as madames em seus Tayers de linho...
Alugados em seus ninhos medíocres e lustrosos vendavais...
Soprei minha paixão do coração e a poesia ria de meus jogos estrangeiros ao meio de seus tortos anjos e demônios de São Paulo e seus habitantes imorais!
David Cejkinski
01-10-2006
Escrito por david cejkinski às 12h13
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