
O Poema do Nada.
Nada de poesia sobre os meus dias...
Nada de loucura nesses meus olhos...
Nada de tristeza sobre essa mesa.
Nada de zuera na minha rotina.
Nada de canseira em meus poemas
Nada de novidade em minhas tardes.
Nada de paixão na minha coleção.
Nada de folia no meu coração
Nada lirismo em meu cinismo
Nada de loucura no meu paraíso.
Nada de pintura no meu rosto pálido
Nada de ternura sobre meu ego amargo
Nada de limpeza na minha tristeza
Nada de compaixão sobre meu pulmão
Nada de horizonte na minha inquieta fronte.
Nada de textura em minhas palavras
Nada de insanidade em minha idade
Nada de poeta
Nada de poesia
Nada de lamento
Nada de conflito nos meus gritos
Nada de vertigem na minha piada
Nada de verdade na minha risada.
Nada de raro sobre meu ralo
Nada de maleável no meu carrosel
Nada de bonito sobre o papel
Nada de amor na vida do poeta
Nada de horror no desamor
Nada de arruaça em minha praça
Nada de paquera no Ibirapuera
Nada de gostoso em meu alvoroço
Nada de nada...
Neste nada...
Para sempre um horizonte cortado...
Sempre esse sonho amargo...
Sempre este pudor...
David Cejkinski 23/03/2007
Escrito por david cejkinski às 20h17
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