Antes que me perguntem e comentem esta série é inspirada em Anotações de um Amor Urbano de Caio F Abreu e tem fortes influencias no estilo de escrita dele.
Anotações sobre um olhar urbano.

Urgências Urbanas.
Vejo nestes olhos, alem dos meus, a refletir os meus dramas, nas suas costas, longas e nuas, abracei o meu desespero, senti o sossego dos teus olhos a me provocar gentilezas...Me acalmei, me senti compreendido, me senti você nos teus abraços, teus beijos, teus carinhos, seus sossegos, meus medos, minha fúrias, meus gritos, minha pele que precisa da sua, que precisa dos teus casacos, dos teus sonhos, das tuas certezas, nesta noite na cidade, me perdi em teus semáforos, atravessei as suas ruas, localizei irregularidades em sua boca nua a me repetir soluções... Beijei com cuidado as suas esquinas, entrei em filas para pagar as a dividas com a sua pele, imprimi minha identidade nos teus olhos alertas, procurei acidentes em suas delegacias, cidade... Mordi tuas pernas monumentais, rolei em seu cinema, beijei a sua ópera, comprei a tua ousadia... Nas esquinas da Augusta suspirei por seus romances, suei você, me perdi em você em seus presentes, sedutores, caros, lindos, raros...Eu e minha loucura, nós e nossas certeza, você e seus braços que deslizam no meu corpo largo, amargo, nu em seu veludo azul a me proteger das ruas escuras, a me dar pratos feitos e bem decorados... Você que protege os meus olhos da miséria alheia que me presenteia só com luxuria... Sete vezes vou falar dos nossos romances em sete esquinas, sete bares e nenhuma cerveja apenas lucidez na minha boca que pede a sua boca...
Palavras a te refrescar como manchetes nas bancas de jornal, palavras que me confortam vindo de sua lúcida noite... Dancei, dancei, e enlouqueci você, nós dois em nosso barco urbano, em nosso cais arcaico, a gargalhar solidão a espantar essa vontade carnavalizada de fazer algo desesperador aos sábados à noite... Tolices... E necessidades urgentes e urbanas, amores perfeitos, comprados em alguma balada em sua noite frenética, em seus bares boêmios em seus teatros vulgares, em ruas escuras, cruzando com putas, travestis, e amores platônicos a desfilar solidão nos finais de semana desta cidade dos sonhos... Amar, muito, intensamente, a cada semana uma rua para passear, uma esquina para beijar enlouquecidamente os seus segredos urbanos, o seu charme europeu, a sua urgência amarga... Esse vazio paulista a corromper pessoas em suas ruas, em sua costas, largas, macias que abraça e beija com amor verdadeiro só por um dia.
David Cejkinski 30/03/2007
Escrito por david cejkinski às 22h29
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Vou tentar fazer uma série de textos que falam sobre o meu ponto de vista de algo que aconteceu em meu dia, vamos ver no que da ehhehe:

A serie se chama:
Anotações sobre um olhar urbano.
3 minutos:
Lindo, eu sorri lindo, com esses meus olhos diante daquele espelho em que me vejo todos os dias. Meus olhos azuis. Cansados e jovens.
Sou movido pela paixão!
Eu repeti isso em duvida sete vezes em silencio mirando estes olhos no espelho, os meus olhos azuis, cansados e jovens. Sou movido por alguma coisa que me impulsiona, algo que me entrega a “casualidade” de meus dias nesta cidade.
Reflexo, sol, muitas pessoas, minhas idéias de pedestre passam mais rápido do que os carros eufóricos por uma nova rotina paulista.
A cidade tava linda, a cidade me ouvia e a cidade me dizia, a cidade me olhava, me mirava me absorvia na cidade dos meus amores perdidos, na cidade de todos os encontros interrompidos pelo semáforo que abre...
Pausa.
Passo diante dos carros como um ator que descortina uma platéia, miro os motoristas, faço o meu monólogo silencioso e me vou. Eram 12:05 naquele momento, o relógio marcava: 12:05 e 30 graus, muito calor e tempo seco.
Aquele tempo seco, e insuportavelmente alérgico a minha garganta que arranha sobe os meus pensamentos cansados.
Eu sigo pela avenida, ando, e sigo o meu caminho traçado, caminho rotineiro, caminho decorado por todas as partículas de meu corpo.
Vejo a rotina passar por meus olhos indisciplinados, ela usava um blusão quente sob aquele sol de outono (mais que parecia de verão), tinha os cabelos na cara parecia não ser de muitos amigos, ele era aparentemente burocrático, uma pasta, um jeans e uma camiseta preta e só. Uniformes, e pessoas a passarem com todos os seus figurinos: unhas, cabelos, luzes, escovas, lentes de contato a interromper a sensibilidade natural das pupilas urbanas, camisas: verdes-claras-azuis-amarelas-vermelhas e brancas, decote, mini-saias a provocar os pedestres comprometidos com os seus caminhos previamente traçados, eram 12:06 o relógio marcava: 12:06 e 30 graus tempo seco e muita pressa.
O sol queimava a minha vista, o sol me maltratava, sempre o sol a fritar meu cérebro quando volto pra casa (penso irritado sempre naquele momento em que subo aquela maldita ladeira).
Pessoas, pessoas, pessoas, lances, jogos de urbanos, os pedestres com o seu charme tímido, o seu olhar indecifrável que guarda uma historia aparentemente mal contada por suas pupilas caladas.
O relógio marcava 12:07 e 30 graus, tempo seco e muita impaciência na cidade.
David Cejkinski 27/03/2007
Escrito por david cejkinski às 20h04
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