Me aventurei a escrever no feminino:

 

Anotações de um olhar urbano.

 

Para Juliana Frank.

 

 

.Delicadezas.

 

 

 

Silencio, ele me rodeia entre as portas, brancas, mau pintadas do quarto que guarda nenhuma lembrança, nenhum acontecimento importante nessa vida perdida na merda dessa porra de cidade!

Abro a janela e vejo o asfalto, vejo as pessoas, as arvores, os bancos e uma desgraçada que passeia com o seu cachorro nojento como se viver fosse um agradável passeio por entre desconhecidos!

Cretina!

O nariz coça de mais, arranha fundo o meu cérebro entupido de cocaína, a delicadeza que perdi momentos antes daquele momento que você me deixou e se foi,e não mirou mais os meus olhos-ovalados-negros-e-borrados do lápis que marca bem esse ódio que eu sito de você.

Um cigarro.Acendo, fumo lentamente os seus castigos, mais um pouco de tabaco e eu acabo comigo (inocente pensei no instante em que o silencio tomou conta da minha garganta seca e do meu hálito amargo de cigarro Malboro).

Me avisaram que não valia a pena, falaram descontroladamente da sua fama ferrenha, da sua divida com a m-e-r-d-a de uma sociedade falida.Falaram. Disseram coisas demais, avisaram da cadeia, dos rolos, mutretas, trambiques e coisas mais...

Falaram de tantos crimes, das delicadezas pintadas sobre a sua fama delinqüente, vai ver foi por isso que me apaixonei perdidamente por você, sempre gostei do que não presta (nessa hora me veio à imagem de minha velha mãe, que repetia isso de hora em hora pra ver se eu não esquecia de que eu era uma bosta!).

Eu agora aqui, nua, de meia calça, sapatos pretos de verniz e um fino casaco que imita pele de urso sobre os meus quadris, com os olhos borrados do lápis que deságua sob o meu peito branco e nu, a tinta que escorre delicadamente sob o meu corpo que sente frio nesta noite fria de outono na grande cidade.



Escrito por david cejkinski às 18h22
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Eu precisava de algo desesperador! Eu precisava!Entrei no banheiro, vi no espelho uma imagem que me descontrolou. Liguei o chuveiro, e deixei o vapor morno contaminar o meu corpo frio, branco e magro, bem delicado. Molhei o rosto e senti por um instante uma dor horrível que começa nos olhos e termina assim na metade da nuca, uma dor seca, que me fazia ficar tonta-muito-tonta.Descontrolada deixei a água molhar lentamente os meus poros e quando me dei por conta ainda estava de meia calça, me sentei na beira do Box de maneira que as costas ficassem encostadas na parede de azulejos vermelhos, comprados com certeza nos anos 70, coisa típica de banheiro dos anos 70 sabe como é? O importante é que fiquei lá por um tempo que não sei bem quanto foi, mas quando fui me levantar percebi que já estava sem as meias-calças elas estavam encharcadas em cima da pia, meio jogadas. Assustada desliguei o chuveiro.

Limpei o vapor do espelho, e me olhei.

Pausa.

Nesse momento me lembrei de Camille Claudel e o seu romance com Rodin, os amores platônicos são feitos para as ausências- pensei enquanto não desgrudava o meu olhar da minha imagem refletida no espelho. Me cobri delicadamente com a tolha usada por você na noite passada. Quando me lembrei peguei aquela merda e joguei pela janela. Usei uma azul, com bordados delicados feitos pela madrinha. Sequei-me como quem passa ouro puro sobre o corpo.

Vesti a minha melhor roupa.

Mas era cedo ainda, era cedo e os bares ainda não estavam lotados de gatos-sem-dono. Peguei um livro pra ler, um livro esquecido que estava em cima da minha mesa, observando um pouco mais lembrei que era resquício de uma noite de lançamento de uma amiga minha muito doida! Comprei para ajudar, sei lá... “Um drink no carrossel” mais era um romance, eu estava farta de romances por aqueles dias, me deu vontade de ligar pra ela e gritar: “Eu gosto de literatura que machuca menina! Gosto de rastros de sangue, e delicadeza poética, não mais um romance, me entende? Não VOCÊ NÃO ENTENEDE” E desligar anônima e chorosa feliz por ter feito alguém sentir pena de min por aquela noite...

Mais não, aquilo não era momento para estampar no jornal que eu tava carente e precisava de Homem, não mesmo.

Liguei o radio e deixei um jazz me acompanhando até a meia-noite, joguei um perfume doce no corpo e me mandei.

Sentei na mesma mesa que agente senta as quartas-feiras, pedi um drink que não me recordo qual foi.

Eu já tava um pouco “alegre” quando você se aproximou e disse como quem pede um simples conhaque:

“Casa comigo?”

E eu delicadamente traguei, soltei a fumaça e borrei a sua orelha com a o batom vermelho que cobria os meus lábios e disse sem pensar duas vezes:

Sim.

 

 

David Cejkinski

18-05-2007



Escrito por david cejkinski às 18h21
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Ando sumido, Tenho algumas ideias para o "Anotações..." mas esta gripe e este mau estar estão me impedindo de concretiza-las.

Prometo que nao vou ficar mais sumido durante tanto tempo...

E por isso uma pausa nos contos, agora esta bem dificil e pulblicar, ja pulbliquei a maioria dos meus poemas agora so me restam os ruins( risos)

Bem apreendi com Caio F Abreu que um escritor nao pode pulblicar apenas o que gosta.

E é vedade.

Bom ai segue um poema bem ruinzinho mesmo (eu nao gosto nem um pouco dele), porem quem sabe algum louco gosta nao é nao?

entao, segue aí...

Boa semana a todos!

Obs: A merda do uol blog so ta me deixando postar assim: picadinho. QUE RAIVA!!!



Escrito por david cejkinski às 16h37
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Valdenir , e a torre de babel.

 

Valdenir diz que é feliz...

Ela mora em Paris

La na rua do chá

Onde a frescura não pode entra...

Lava o chão

E ganha o seu pão

Ate que é uma grana

Comparado ao palavrão que ela ganhava aqui....

Morava no Pari

Pegava três condução

Chegava no barraco e não tinha chuveiro.....



Escrito por david cejkinski às 16h32
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Sua casa mais parecia um bueiro....

Vadenir, foi para Paris....

Ela acha que é feliz....

Mas tem saudade

Da brasilidade

Da malandragem da vida nos trópicos....

Ela fala, que em Paris ela e gente

Tem casa

Comida todos os dias

Só não tem a família....

Ela anda esquecida da cara do povo de Petrolina....

Ela se sente sozinha....

Mas tudo bem se não fosse o Renato

Ela não tinha comida no prato

Renato moço bom

Levou ela de avião

E deu o chão

Para ela limpa

Pelo menos ate ela se vira

Algumas vezes

Ela se arruma toda

E vai ao teatro vê a vida passa

Ela se lembra da avenida a onde

Adorava desfila

Se sentia importante

Levantava até um cadeirante!

Mas ela acha fino

Bota o seu vestido de linho

E vai ver teatro francês

Ate podia ser em inglês....

Ela mau entende o português....

Mas ela acha que é feliz....

No subúrbio de Paris

No subúrbio do seu coração

Mas pelo menos ela ganha seu pão....

Na torre Eifel

A torre de babel

Da globalização.

E da corrupção

 

David Cejkinski 14-06-2005



Escrito por david cejkinski às 16h32
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