
Anotações de um olhar urbano.
Transborda.
Desabafo:
15/06/2007 19 Hrs.
Transborda-me, por entre as veias os olhos a pele que sua o descaso, esse ódio. Que me rodeia, me faz sentir assim como se fosse uma suicida: a cada dia mais morta por causa de ti.
Nada mais Luís, nada mais me prende a você, o que você me deu até agora Luis? A que me deu insegurança, bagunça e dois filhos e nenhuma alegria. Só esse pedaço de concreto que me rodeia na periferia da grande cidade.
Violou-me com tuas mais duras palavras, e fez o que jamais podia fazer. Me toma e me fala, e me amola, e me bate todos os dias com suas algemas, seus vícios, seus dogmas, essa vontade escandalizada de me torturar Luis. Essa paixão pelo grotesco que ressuscita todos os dias em teu coração.
Tivemos dias agradáveis sim. Fui apaixonada por ti, nunca havia conhecido a paixão antes de ti Luís essa virose que me contaminou e que me escravizou do teu lado, que me fez parasita de ti, a precisar de uma gota do seu suor para viver, uma palavra sua para ter um dia um pouco mais tranqüilo no meio do caos de uma vida na periferia de todos os sentimentos.
E eu era feliz com o seu corpo, a sua boca, o seu juízo, a nossa rotina, a nossa simples e completa rotina enquanto tudo estava no teu lugar, enquanto você não transbordava todos os dias esse veneno que infectou essa paixão.
Não da mais Luis. Não consigo viver com esse gosto de morte na boca.
Preciso de mais vida, uma outra paixão quem sabe. Não importa, eu preciso de ordem, segurança, pode ficar tranqüilo que o que você não me da mais eu vou procurar Luis.
Acredite, eu vou achar.
(Era 19: 45 Hrs. quando sai para a rua e de novo passei por todas aquelas pessoas conhecidas: vizinhos e cia.; cruzei também com uma senhora de óculos escuro, um rapaz de bermuda, e um grupo de senhoras que estavam falando alguma coisa que não consegui entender, o tormento e as lagrimas me bloquearam a cidade, e a cidade me bloqueou. Uma vizinha meio intrometida ainda gritou ao longe algo como: - Hei! Ta tudo bem Giovana?).
16/06/2007
O Choque.
08 Hrs.
O SENHOR TEM QUE FAZER ALGUMA COISA, NÃO ENTENDE? PELO AMOR DE DEUS ME AJUDA, FALA QUE NÃO ACONTECEU QUE FOI UM SONHO.POR QUE ESSE SILENCIO?
E OS MENINOS ONDE ESTÃO, ME TRAGAM OS MENINOS PELO AMOR DE DEUS, ELES DEVEM ESTAR SOZINHOS, OS OLINHOS DELES!
PAUSA.
ELA NÃO, O SENHOR ENTENDE? NÃO PODIA! NÃO, NÃO, NÃO...
PAUSA.
DESGRAÇADO...
PAUSA
NÃO PODE, DEUS... DEUS?? DEUS!!!!!!
PAUSA.
(a mulher de 60 e poucos anos grita, solta um som sofrido, coloca as mãos sobre o rosto e aperta a cara com força como quem quer tirar uma mascara que esta grudada sobre a pele, mas sem sucesso chora e se desespera mais).
Escrito por david cejkinski às 02h03
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