Sobre o campo:
Me rodeie feito perigo sagrado.
Aniquile-me feito jóia aniquilada.
Enlouqueça-me neste meio do final.
Meu campo minado.
Dentro de min explode
Explode
Explode feito choro de criança, me abrace em um campo minado aonde não haja segurança.
Não me abandone, não me jogue ao desespero do acaso.
Meu campo minado.
Não chore, não grite, não sofra antecipado.
Eu quero um campo minado que me detone feito estrela.
Que acabe comigo sem choro e nem abandono.
Quero campo minado feito veneno previsível.
Como um suicídio programado.
Não quero o desespero do não acontecido.
Quero morte feito guerra planejada.
Em sua historia repetida de martírios.
Em sua mão de linhas embaralhadas.
Quero campo minado que me perca sem sentido.
Quero vida antes do juízo.
Quero poesia antes da morte.
Eu quero um campo minado de esperança.
Quero uma Jerusalém detonada de igualdade.
Não me abandone feito criança em Marte.
Não me coloque no meio das bombas.
Eu quero um campo minado de sorte.
Quero vida e muita sorte a explodir no deserto oriental.
Eu quero um campo minado de certezas.
Que destrua a morte, e ressuscite a vida.
Quero campo minado que detone a morte e semeie a paz.
David Cejkinski 26/07/2007