Tentando fazer com ritimo.....

p/ Camila Lopes

Jantar de Silencio.

 

Dilate o silencio do meu corpo.

Um momento de surdez que quebra a noite.

Morda o meu lábio a desatino.

Embale a alma leve na jornada

Enquanto eu entrego o meu pranto.

Você delira risadas no meu lírio.

Eterna noite para sempre fustigada.

Cristal branco em cima da bancada

Santidade minha esquecida

De eterna vida, eterna entrega...

Já na sua perna eu prego, mordo, arranho.

Faço ferida em tua vida, em tua vida...

Paz de anestesia em qualquer canto.

Jantar de lábios, beiços e partida...

E quando eu ando, ando suicida...

É de mentira que faço o meu teatro.

Pelado, mostrando a minha ira.

Eu faço vida, em qualquer canto...

De maquiagem foi feita à viagem.

E de prazer fui morrer na sua pele.

Que te repele, mas gosta tanto.

Amor eu quero mais que Carnaval.

Percebe a rosa, do meu punhal?

Quando acabar, te afaste do lugar.

Meu pranto mancha a sua serpentina.

Já na saída do seu caminhar.

Em teu olhar, em seu olhar...

 

David Cejkinski

 



Escrito por david cejkinski às 21h41
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(foto retirada do blog do ivan)

 

Perdoando Deus.

 

Pára a vida não pára, nada na minha inquieta fronte, nada faz o meu nada mais completo. Um dia pra sempre: não era dor, não era amor, não era nada era o vazio.

 

A pele que respinga poesia e não transpira mais nada nestes dias, a vida é assim... (tento me consolar no escritório da grande cidade, resolvendo algum problema rotineiro de uma empresa que nada me diz se não: dinheiro) Mas a vida repete: é assim mesmo, é pode ser mesmo.

Tédio. Repetição.

Pessoas mesquinhas ensaiando um nada para retirar um registro invalido.

Penso, penso, mas nada faz chegar ao ponto que me liberta alma.Nas sextas-feiras quando passo em frente ao colégio sempre soa uma louca batucada que me faz querer libertar o amor.

 Poesia será? Não ta pra rotina mesmo, rotina que esmaga.

Mas a vida é essa, é assim, poesia é pra quem tem dinheiro de berço, é pode ser mesmo, pode ser assim...

As maquinas dançam no asfalto, as maquinas fazem dinheiro, o som da batida das maquinas fazem a dor no meu corpo inteiro.

Mas que tinha novidade, que tinha conceito: lembranças de uma época de lirismo retomou dos ventos... Mas assim do nada? (me pergunto insólito, massacrado e acelerado pela rotina concreta) Aquela parte de min MORREU. Não da mais pra ser assim...

Pânico, medo, angustia.

(Será que vou suportar lembranças de uma época que não há muito tempo me encantava, deixava a vida mais intensa, mais difícil só que mais preenchida?)?

Decidi matar o ator que existe em min. Não sei se matei.

 

Eu quero respostas: ligo a um amigo em menos de meia hora já estou na porta dele. Ele não entende. Acho que nem eu entendo.

 

Onze da noite e a Rua Augusta estava linda sob aquela lua cheia, a Rua Augusta com certeza mais princesa do mar do que Copacabana, romantismos à parte, quando desci a rua augusta tudo acalmou no peito, desceu na alma esfriou a brasa (fabrica de neuroses). Parei na Roosevelt, tinha uma peça a meia noite, compramos ingressos eu e meu amigo.

Na fila: encontrei três amigos de teatro, dois professores meu de literatura.



Escrito por david cejkinski às 03h45
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Vou ao bar ao lado encontro uns amigos, me sento converso conto estes meus dias doidos. De repente chega um cara assim de paletó camiseta, moderninho. Ele diz que quer sexo, drogas e rock eu olho pra ele e acho clichê de mais (é isso ai! -falo pra ele). Ele diz que mora no Copan, tem uns vinte anos e se vira sozinho, faz uns pedais pra guitarra e vai vender na promissora loja do amigo dele, acho engraçado.

Filho de pai rico, depois descobri- se vira sozinho porem com a pensão do pai. “Que é uma mixaria” repete histérico.

Uns papos ali outros por lá, a você ta fazendo Fátima Toledo? A eu fiz- e me lembrei de novo do filme, e me deu um desespero.

Que naquela noite tudo era blues, um que faz artes do corpo na PUC e acha caro ser artista, o outro que concorda com tudo. Diz que quer fazer tudo, canto, corpo, dança, cinema e o caralho a quatro- ele tem esperanças...(pensei comigo meio como uma criança que acha bonito uma palavra.).

Reencontro os professores, converso um pouco coisas do tipo: adaptações, livros, peças, essas coisas de professor, sabe como é?

O Bar esta fechando, me levanto e vou ao Satyros esperar o meu amigo que ficou lá dentro. Muita gente, as pessoas tomam cerveja em copo de vinho e champagne, falam, riem, conversam muito Um gordinho quarentão que fuma sem parar e seu amigo que masca um chato chiclete, uma moderninha de cabelo esquisito, uma moça bem vestida social de mais até, uma outra de olhos negros lindos que usa uma fita vermelha amarrada no cabelo e parece ser bem interessante, ao meu lado um rapaz negro que vez em quando me olha, olha pros lados, parece que esta esperando alguém também...

A peça acaba, na praça ainda esta acontecendo um Sarau.

No centro da cidade, as 2 da manhã, em uma praça feia reúne um grupo considerável de pessoas que falam, declamam e interpretam poesia. Tudo isso acompanhado pelos freqüentadores locais (artistas, boêmios, prostitutas, travestis e mendigos).

Enquanto um recitava:

“(...) Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma...”

O mendigo morador habitual daquela arvore reclamava:

- O Corinthians perdeu hoje!!!

O rapaz que recitava Perdoando Deus não quebrou sua poética e recitava lindamente:

“(...), pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe”.E ainda completou olhando nos olhos de cada um que ouvia:

-Não era dor, não era amor, não era nada, era o vazio.

Todos olhavam atentamente em direção do rapaz que estava bem parado em frente a arvore, aonde acontecia o sarau.

E o mendigo gritou:

- EU JÁ DORMI NESSA ARVORE!!!E saiu reclamando que ninguém o deixa em paz.



Escrito por david cejkinski às 03h43
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