Vou ao bar ao lado encontro uns amigos, me sento converso conto estes meus dias doidos. De repente chega um cara assim de paletó camiseta, moderninho. Ele diz que quer sexo, drogas e rock eu olho pra ele e acho clichê de mais (é isso ai! -falo pra ele). Ele diz que mora no Copan, tem uns vinte anos e se vira sozinho, faz uns pedais pra guitarra e vai vender na promissora loja do amigo dele, acho engraçado.
Filho de pai rico, depois descobri- se vira sozinho porem com a pensão do pai. “Que é uma mixaria” repete histérico.
Uns papos ali outros por lá, a você ta fazendo Fátima Toledo? A eu fiz- e me lembrei de novo do filme, e me deu um desespero.
Que naquela noite tudo era blues, um que faz artes do corpo na PUC e acha caro ser artista, o outro que concorda com tudo. Diz que quer fazer tudo, canto, corpo, dança, cinema e o caralho a quatro- ele tem esperanças...(pensei comigo meio como uma criança que acha bonito uma palavra.).
Reencontro os professores, converso um pouco coisas do tipo: adaptações, livros, peças, essas coisas de professor, sabe como é?
O Bar esta fechando, me levanto e vou ao Satyros esperar o meu amigo que ficou lá dentro. Muita gente, as pessoas tomam cerveja em copo de vinho e champagne, falam, riem, conversam muito Um gordinho quarentão que fuma sem parar e seu amigo que masca um chato chiclete, uma moderninha de cabelo esquisito, uma moça bem vestida social de mais até, uma outra de olhos negros lindos que usa uma fita vermelha amarrada no cabelo e parece ser bem interessante, ao meu lado um rapaz negro que vez em quando me olha, olha pros lados, parece que esta esperando alguém também...
A peça acaba, na praça ainda esta acontecendo um Sarau.
No centro da cidade, as 2 da manhã, em uma praça feia reúne um grupo considerável de pessoas que falam, declamam e interpretam poesia. Tudo isso acompanhado pelos freqüentadores locais (artistas, boêmios, prostitutas, travestis e mendigos).
Enquanto um recitava:
“(...) Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma...”
O mendigo morador habitual daquela arvore reclamava:
- O Corinthians perdeu hoje!!!
O rapaz que recitava Perdoando Deus não quebrou sua poética e recitava lindamente:
“(...), pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe”.E ainda completou olhando nos olhos de cada um que ouvia:
-Não era dor, não era amor, não era nada, era o vazio.
Todos olhavam atentamente em direção do rapaz que estava bem parado em frente a arvore, aonde acontecia o sarau.
E o mendigo gritou:
- EU JÁ DORMI NESSA ARVORE!!!E saiu reclamando que ninguém o deixa em paz.
Escrito por david cejkinski às 03h43
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