
Dançamos.
Aos sábados a vida é vitrine,
Tudo desfila de graça diante dos olhos.
Nada que impeça as nossas pernas saltarem o tédio e as nossas orelhas aguçarem o sim.
Aos sábados a vida é ternura de parapeito, é amar o desejo e o imprevisível veneno.
As manhãs são povoadas de vilarejos, os livros repletos de dramas e os restaurantes zoam razoavelmente uma languidez burguesa.
Os nossos calcanhares enjoados de pedra.
O jeito que as imagens revelam a moeda.
Aos sábados a vida é luxuria, mãos que deslizam por baixo e dentro da cintura.
É castigo que liberta, faz musica aos nossos ouvidos.
E dançamos.
Dançamos com livres passos pesados de candura urbana.
Já que nos sábados os urbanos são heróis.
Aos sábados a cidade estupra os seus moradores.
E dançamos.
Com as nossas calças jeans e sapatos de pano,
e dançamos com nossa flor de Liz e meia calça de soprano,
e dançamos feito guardiões de algo que é feliz mas dançamos ao nada de pérfido humano, nada de precioso de baixo do pano e dançamos mesmo quando na verdade enlouquecemos o medo e entregamos o corpo. Anjo profano.Te beijo a pele e só me engano.
Adapte ao tipo do teu físico.
Maltrate-me ao canto céu profano.
Figura-me no beijo do teu mimo.
Desprenda-me a fagulha do teu tédio.
Dilata-me o sexo interrompido.
Arrase o fétido medo e paz de tudo.
Menino que fala a verdade.
Morre amigo.
Faz vontade.
Retórica imprensa de cândida náusea.
Invade a casa com métrica e pausa.
Retiro-te tanto que enquanto falseio.
Me encanto a galope.
Afundo no meio.
Justo o ponto do trote.
Me remete a sua casa.
Eu falo mentira.
Na mesa passada.
E de minha menina,
não faço graça.
Retiro a piada e vou de pirraça.
A cidade mede late e pede a te entregar na minha ausência o fundo do livro de sua escrita, maldita partida de pecado maior e quando de cor me rodeio de dores, aumento o cachê e dobro minha língua e nesse momento o lento me invade.
Eu sou a cidade.
David Cejkinski
Escrito por david cejkinski às 22h49
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