Desabafo
Eu sou a água suja da poça que dilui entre os carros sobre a pedra.
Eu sou como devia ser, moldado em uma musica contemporânea.
Eu que lavo com meus músculos a rua de tombo
E passo correndo pelado nas vitrines de outono
Era, e como era pra ser mais simples...
Enjoado como verão fora de época
Eu sou como gota promissora no agreste
Que tarda a pingar, mas no fim da historia sempre esta lá.
Eu, como eu queria ser eu mesmo todo dia.
Praticamente uma rotina de ego.
Onde o faz-de-conta começa quando me canso de mim mesmo
Eu que flerto todos os dias com um destino certo
Mas desvio entre minhas milhares de sinas, e acabo no abismo
Mansamente estofado no meu conformismo
Eu sou como chuva agridoce no verão
Que escorre entre os paralelepípedos de uma cidade histórica
Como canais confusos de uma geografia previsível
Eu que me lanço ao leu das historias
E acabo sempre me ferindo.
Escrito por david cejkinski às 19h04
[]
[envie esta mensagem]
|